Comunicação Escrita Assertiva

Princípios da comunicação escrita

Contrapondo-se a comunicação escrita à falada, é possível perceber que esta se vincula com as situações em que é usada, isto é, normalmente, na comunicação oral, o contato entre emissor e receptor é direto, pois ambos estão em presença um do outro, num determinado lugar e momento.

A língua escrita demanda, assim, um esforço maior de precisão: devem-se indicar datas, descrever lugares e objetos, bem como identificar claramente os interlocutores no caso de representação de diálogos. Toda essa elaboração gera textos cuja compreensão não depende do lugar e do tempo em que são produzidos ou lidos: como a língua escrita busca ser suficiente em si mesma, redator e leitor não precisam mais da proximidade física para que a mensagem se transmita satisfatoriamente.

Clareza, concisão e consistência

No que se refere à comunicação escrita, ela deve apresentar alguns atributos, que facilitam a compreensão da mensagem por parte do leitor. Alguns desses atributos são os chamados “3Cs”: clareza, concisão e consistência.

Clareza

Ela tem a ver com a transmissão das ideias de forma transparente e organizada. Por isso, é preciso que você foque no que realmente importa para produzir uma comunicação sem mensagens ambíguas, que não dê lugar a dúvidas quando for lida.

Para atingirmos a almejada clareza em nossos escritos, Jorgewich (2024) complementa a ideia de Rosa (2022): antes de escrever, é preciso planejar. Para auxiliar a realização desse planejamento, a autora propõe um roteiro, composto de sete questões:

  1. O quê (qual é o assunto)?

  2. Quem irá ler?

  3. Quando (momento relativo ao assunto)?

  4. Onde (lugar relativo ao assunto)?

  5. Para quê (objetivo)?

  6. A favor de quem (quem se beneficiará com o assunto)?

  7. Como (meio ideal para comunicar o assunto)?

Perez (2024) sugere algumas estratégias para que o emissor consiga transmitir suas ideias de maneira que o leitor as compreenda de forma rápida e confortável.

Use frases curtas e objetivas

Elimine palavras desnecessárias

Organize o texto em parágrafos curtos

Prefira a voz ativa à voz passiva

Revise o texto

Concisão

A concisão consiste em transmitir a informação necessária com o mínimo de palavras possível, sem prejudicar a clareza.

Melo (2020) aponta algumas estratégias para a escrita de um texto conciso.

Evite palavras ou expressões repetidas

Exclua imprecisões vocabulares

Fuja dos pleonasmos

Use a ordem direta (sujeito+verbo+complemento)

Evite o emprego de adjetivação excessiva

Consistência

Nas palavras de Koch; Travaglia (1990, p. 81), uma comunicação consistente permite que o leitor entenda a mensagem que se transmite.

Em síntese, a manutenção da consistência num texto escrito está atrelada à capacidade do escritor de desenvolver as ideias de forma sólida e sem divergências ou incompatibilidades.

Coesão e coerência

Coesão e coerência, embora tomados por sinônimos por muitas pessoas, têm significados distintos. Examinemos o conceito de cada uma dessas propriedades do texto.

Coesão

Quando um texto tem coesão, seus vários enunciados estão organicamente articulados, quer dizer, concatenados entre si.

Há várias palavras que assumem essa propriedade:

  • Preposições: “Voltei de São Paulo ontem.” Nesse caso, a preposição “de” exerce função coesiva, pois liga a palavra “voltei” à palavra “São Paulo.

  • Conjunções: “Fui à festa, mas não me diverti.” Aqui, a conjunção “mas” liga a oração “Fui à festa” à oração “não me diverti”. Ao fazer essa ligação, estabelece entre ambas as orações uma relação de oposição, adversidade.

  • Pronomes: “Ana e Flávia são irmãs. Esta é médica; aquela, dentista.” Nesse caso, os pronomes “esta” e “aquela” atuam como elementos coesivos, pois retomam o que foi dito.

  • Advérbios: “Visitei Paris. Lá faz muito frio no inverno.” O advérbio “lá” atua como elemento de coesão, pois retoma “Paris”.

Encadeamento

Nos dois primeiros casos (preposições e conjunções), há uma progressão no texto, realizada por meio de encadeamentos. Esses encadeamentos são assinalados por marcas linguísticas as quais estabelecem elos, ou seja, criam determinados tipos de relação entre partes do discurso. Koch (2000, p. 49) chama esse tipo de coesão de coesão sequencial.

Fiorin; Savioli (2007), Koch (2000) e Marcuschi (2012) apontam as relações que alguns conectivos estabelecem. Dentre elas, destacamos as que seguem.

  • Assim; desse modo: A sequência que eles introduzem, via de regra, explica, explicita, confirma ou ilustra o que foi dito antes.

  • E: Anuncia o desenvolvimento do discurso ou indica uma progressão semântica que adiciona, acrescenta algum dado novo.

  • Aliás; além do mais; além de tudo; além disso: Introduzem um argumento decisivo, um acréscimo ao que foi dito até o momento.

  • Isto é; quer dizer; ou seja; em outras palavras: Esclarecem, retificam ou desenvolvem o que foi dito anteriormente.

  • Mas; porém; contudo; todavia; entretanto: Apontam oposição, adversidade, entre segmentos do texto.

  • Mesmo; até mesmo; ao menos; pelo menos: no mínimo. Estabelecem gradação entre os componentes de uma certa escala. Os dois primeiros situam algo no topo da escala; os três últimos situam esses componentes no plano mais baixo.

  • Quando; enquanto: Operam a localização temporal dos fatos a que se alude no enunciado.

  • Pois: Apresenta uma justificativa ou explicação sobre o que foi dito antes.

Anáfora

Nos dois últimos casos (pronomes e advérbios), há uma retomada do que foi dito anteriormente. Quando isso acontece, diz-se que ocorre uma anáfora.

Koch (2000, p. 30) explica que os elementos anafóricos e os elementos catafóricos assinalam um tipo de coesão chamada de referencial: “Chamo, pois, de coesão referencial aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo textual.”

Coerência

Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. No texto coerente, não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais.

Fávero; Koch (1983), Koch (2000), Koch; Travaglia (1989) e Koch; Travaglia (1990) admitem que o estabelecimento da coerência depende de alguns fatores, conforme segue.


Técnicas de revisão e edição

Elementos linguísticos

Conhecimento do mundo

Fatores pragmáticos

Tipos de comunicação escrita

A comunicação oral, conforme já tratamos, caracteriza-se por ser realizada por meio da fala e é usada, dentre outras possibilidades, em conversas, diálogos, apresentações, telefonemas, aulas, entrevistas.

Já a comunicação escrita, presente em ambientes profissionais e acadêmicos, pode ser usada para, por exemplo, documentar informações, realizar negociações, apresentar propostas, comunicar decisões. Alguns tipos de comunicação escrita são: e-mails, relatórios, cartas, blogs, memorandos. 

Reuter (1996) aponta que a produção da comunicação escrita depende de três operações:

  • Planejamento: Responsável pela coleta de informações sobre a temática a ser abordada, pela organização e hierarquização dessas informações e pela adequação do público a quem são destinadas.

  • Textualização: Ligada à redação propriamente dita, levando em conta a clareza, a concisão, a consistência, a coesão e a coerência do que se produz.

  • Revisão: Atrelada à releitura do que foi escrito, a fim de que possam ser corrigidos quaisquer problemas, de ordem gramatical ou não, que forem detectados.

Para Neves (s/d), a comunicação escrita apresenta as seguintes características:

  • Maior distanciamento entre emissor e receptor.

  • Contato indireto com o interlocutor.

  • Maior rigor gramatical e cumprimento da norma culta.

  • Duração no tempo, podendo ser relida inúmeras vezes.

  • Aprendizagem formal, requerendo escolarização.

  • Indicações necessárias para a compreensão da mensagem feitas por meio de pontuação e palavras.

  • Exigência de linearidade, isto é, sequência de pensamento clara e estruturada.

  • Possibilidade de revisão de conteúdo e correções.

  • Vocabulário variado e construções frásicas mais elaboradas.

Formal

O nível de linguagem formal (ou culto) também é chamado de padrão. É o dialeto a que se atribui, em determinado contexto social, maior prestígio; é considerado o modelo – daí a designação de padrão, de norma – segundo o qual se avaliam os demais dialetos.”

  • Vantagens:

    • É padronizada e segue regras, o que facilita a assertividade

    • Traz credibilidade para o escritor

    • Passa a ideia de seriedade e comprometimento

  • Desvantagens:

    • Pouco personalizável

    • Pode tornar a comunicação mais burocrática do que necessário

    • Pode ser que alguns leitores tenham dificuldade em compreender a mensagem transmitida

Informal

O nível de linguagem informal (ou coloquial) é usado em contextos em que não se exige a formalidade pretendida quando se usa o nível culto.

  • Vantagens:

    • Facilita a interação entre escritor e leitor

    • Mais humanizada

    • Facilmente compreendida por todos

    • Gera conexão

  • Desvantagens:

    • Pode causar impressão de ser uma comunicação menos respeitosa do que o ideal

    • Pode causar problemas de compreensão

    • Diferentes gerações tem girias próprias

Formal vs informal

Comunicação escrita formal

Comunicação escrita informal

Raro uso de palavras/expressões do tipo: aí, né, pois é.

Uso frequente de palavras/expressões do tipo: aí, né, pois é

Uso de vocabulário que preza pela objetividade.

Vocabulário diverso, seguindo a ideia de pluralidade de língua.

Uso regular da forma nós.

Substituição da forma nós por a gente.

Utilização de marcas de concordância.

Ausência quase total de marcas de concordância.

Uniformidade no uso de pessoas gramaticais.

Mistura de pessoas gramaticais.

Ausência de gírias.

Uso frequente de gírias.


Técnicas de revisão e edição

Antes de mais nada, vale esclarecer que técnicas de revisão e edição são processos que visam a melhorar a qualidade de um texto, mas de formas diferentes.

A revisão objetiva corrigir erros gramaticais (sintaxe, regência, concordância, acentuação, ortografia, pontuação, dentre outros), além de falhas que podem ter ocorrido durante a digitação. 

Na edição, o foco reside na melhoria da qualidade do texto, pensando o conteúdo de acordo com o que for melhor para o leitor.

Revisão de conteúdo e estrutura

A revisão de um texto escrito divide-se em revisão de conteúdo e revisão de estrutura.

  • Quando se corrigem erros gramaticais ou de digitação, tem-se uma revisão de conteúdo. Essa revisão engloba, também, a verificação de repetição de palavras ou estruturas frasais, de ambiguidades, de frases desconexas e de sentidos dúbios nos parágrafos.

  • No que se refere à revisão de estrutura, trata-se de um processo que visa a conferir a formatação – título, intertítulo, espaçamento, justificação – e todos os itens estruturais que ela engloba.

Edição gramatical e ortografia

A publicação online EdocBrasil (2023) aponta dicas para a realização de uma edição gramatical:

  1. Deixe o texto descansar por um tempo para ter uma visão mais crítica e objetiva.

  2. Leia o texto em voz alta para perceber inconsistências.

  3. Verifique se o texto está claro, conciso e consistente.

  4. Atente para a seleção vocabular, isto é, verifique se você usou palavras adequadas e precisas para transmitir sua mensagem.

  5. Garanta que seu texto esteja de acordo com as normas gramaticais vigentes, pois isso o torna mais respeitável.

  6. Verifique a coesão e a coerência do texto, ou seja, verifique se há uma conexão harmônica entre as partes do texto e uma relação lógica entre as ideias.

  7. Consulte um dicionário para ter certeza do significado das palavras.

Jacudi (2021) explica que o processo de edição gramatical e ortografia do texto é importantíssimo para que se tenha uma comunicação escrita assertiva. Além dessa edição, a autora elenca, também, o que deve ou não ser praticado para a obtenção dessa assertividade e que precisa ser considerado quando o escritor produz um texto escrito.

O que deve ser praticado na escrita assertiva

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Seja claro. Um texto claro ganha a atenção do leitor, que se interessa pela leitura, pois sabe que vai compreender o que ler.

Cell 1-2

Estabeleça o assunto e a linha de pensamento a ser seguida.

Cell 2-2

Seja conciso, isto é, diga muito em poucas palavras.


Busque o equilíbrio emocional na hora de escrever; concentrando-se no seu texto


Use vocabulário conhecido e palavras simples.


Tenha cuidado com a gramática. Valha-se de pontuação adequada, respeite as regras ortográficas e de acentuação, verifique questões sintáticas

Não cometa erros gramaticais, pois isso tira a credibilidade do que você escreve

Conheça o assunto e o objetivo do texto – saiba exatamente o que precisa e deseja escrever.

Evite escrever seu texto se não tem pleno conhecimento do assunto e se não sabe por que está escrevendo.

Ferramentas de apoio a escrita

  • Grammarly ajuda o escritor a produzir mensagens mais claras e eficazes, sem erros gramaticais e frases estranhas. Além do verificador de ortografia e gramática, sugere estilos de redação e traz um dicionário de sinônimos para que você possa substituir palavras repetidas.

  • Hemingway ajuda a aumentar a legibilidade da redação.

  • Power Thesaurus ajuda o escritor a encontrar, por meio de sinônimos, palavras diferentes para usar no texto. Ele também oferece antônimos para acrescentar variedade e contraste ao que escreve.

  • Google Docs permite a criação e o armazenamento de documentos on-line.

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