Linguagem corporal e medo de falar em Público

A linguagem corporal
A linguagem corporal é o sistema de comunicação que exibe comportamentos suscitados em resposta ao ambiente, cuja experiência e interpretação podem diferir de país para país e entre culturas e pessoas. Esses comportamentos não verbais podem certamente comunicar nossos sentimentos e intenções no momento. E embora a linguagem corporal seja uma resposta física ao nosso ambiente complexo, ela também tem a capacidade de afetá-lo.
Entre alguns exemplos de linguagem corporal, temos:
Engolir em seco: Você está com dificuldade para falar.
Projetar o corpo pra frente: Pode parecer que não se interessa pelo que esta sendo dito
Alisar o cabelo enquanto fala: Demonstra certa insegurança e desconforto
Olhar o relógio muitas vezes: Revela impaciência e, em certos casos, falta de educação
Sorrir de maneira aberta, franca: Sorriso é um ato acolhedor, elegante e simpático
Relaxar os ombros: Pode revelar que você se sente à vontade no local
Comunicação não verbal
A comunicação não verbal fascina a humanidade desde seu nascimento e que se processa por meio de três elementos: o corpo, os objetos e a dispersão no espaço físico.
Corpo: O foco reside na fisiologia do movimento e nas capacidades físicas do corpo.
Objetos: Eles se associam ao corpo, como as vestimentas, as tatuagens, os acessórios.
Espaço físico: Quando você entra num elevador lotado, via de regra muda quase que completamente sua atitude: tom de voz, postura e modo de observar as pessoas.
Knapp (1980) classifica a comunicação não verbal, entendida como ações ou processos que têm significado para as pessoas, em:
Paralinguagem: Conjunto de tons de voz ou sons não linguísticos que acompanham a fala e que revelam o estado psicológico do falante
Proxêmica: Estudo das distâncias físicas que os indivíduos estabelecem entre si quando interagem socialmente e do significado e das possíveis razões da variação dessas distâncias
Tacêsica: Estudo do toque e de todas as características que o envolvem, como pressão exercida, local onde se toca, entre outros.
Cinésica: Linguagem do corpo
Cabeça
No que se refere à cabeça, Freitas (2019) apresenta considerações sobre cabeça empinada, cabeça baixa e cabeça inclinada.
Cabeça empinada: Traduz-se como indício de que a pessoa está em desafio ou se sente confusa com o que está ouvindo. Explica que, se um sorriso se juntar à cabeça empinada, o orador pode ter certeza de que o receptor está gostando do que escuta ou até que aprecia a figura do orador.
Cabeça baixa: Pode indicar que o orador é envergonhado, tímido, retraído ou quer esconder algo. Abaixar a cabeça após uma explicação talvez demonstre que a pessoa apresenta dificuldade para interpretar o que está sendo dito ou que está refletindo sobre a mensagem passada.
Cabeça inclinada: Tem relação com afinidade. Se se unir a isso um sorriso, é possível que o orador esteja sendo brincalhão, todavia, que se deve tomar cuidado com a seguinte situação: é normal que pessoas com problemas de visão (dificuldade ou capacidade reduzida) inclinem a cabeça para prestarem atenção ao que escutam.
Olhos
Olhos têm a capacidade de revelar muitas características comportamentais, além de transmitirem diferentes tipos de informação.
No caso do olhar profissional, o orador olha diretamente para os olhos de um interlocutor em específico, encarando-o, o que pode colocar esse ouvinte sob pressão. Recomenda que se evite esse tipo de atitude, pois pode ser interpretada como intimidadora e agressiva.
Em se tratando do olhar afetivo, o locutor olha para todos ou ouvintes, sem fixar seu olhar em um só indivíduo da plateia. Dessa forma, há uma tentativa de abarcar a todos no ato comunicativo, tornando-o mais ameno e agradável.
‘Olhe’ para o público com o corpo todo, isto é, ao olhar para as pessoas que estão sentadas à esquerda, gire o tronco e a cabeça para esse lado, deixando que todos percebam que você está com os olhos voltados nessa direção. O fato de girar o tronco e a cabeça para ver o auditório, além de permitir o retorno, sabendo como as pessoas estão reagindo à apresentação, e de prestigiar a presença dos ouvintes, que percebem com essa atitude seu contato visual, torna possível a conquista de um terceiro objetivo: quebrar a rigidez da postura, pois a flexibilidade do tronco deixará mais natural o seu posicionamento.
O ato de tirar e colocar os óculos enquanto você fala ou de limpar as lentes antes de iniciar sua fala pode ser uma forma de fazer com que você ganhe tempo para organizar melhor seu pensamento. Mas, atenção, não olhe por cima dos óculos. Trata-se de um gesto negativo e arrogante. Denota que você está analisando o comportamento do ouvinte de forma atenta e, às vezes, invasiva, e pode gerar uma reação desfavorável por parte do interlocutor.
Braços
Os braços, e também as mãos, constituem uma parte importante de nossa expressão enquanto oradores. É praticamente impossível conversar sem usar braços e mãos com público.
Por isso, são atribuídas várias funções a elas, sendo a principal o engradencimento de um discurso.
Cruzar os braços demonstra que você assume atitude defensiva diante dos interlocutores, pois sente-se incomodado, inseguro. Essa ação também provoca um certo afastamento entre o orador e a plateia.
Se você cruzar os braços e alinhar os pés, mostrará posição de autoridade e resistência
Colocar os braços atrás do pescoço em repouso, ao contrário, denota descontração por parte do orador, além de revelar que ele está aberto àquilo que se discute.
Quando se trata das mãos, Camargo (2010) explica que elas são fontes de mensagens não verbais dos mais diversos tipos:
Mãos suadas indicam tensão, se secas, mostram relaxamento
Mãos cuidadas e unhas limpas são sinônimo de asseio, ao contrário, podem denotar descuido
Mãos juntas remetem à diminuição da cadência do discurso, como se o orador estivesse dando as mãos a si mesmo.
Mãos nas costas podem levar o interlocutor a crer que o orador está inseguro, desconfortável
Mãos nos bolsos demonstram o nervosimo do orador, como se ele quisesse se esconder da plateia (a autora adverte, porém, que esse procedimento pode ser considerado correto caso o orador o faça em curtos períodos de tempo, para descansar, por exemplo).
Mãos na cintura ou quadril são um sinal de impaciênci e cansaço, fechadas signicam irritação.
Gestos
Gestos são elementos fundamentais da comunicação não verbal e devem complementar a mensagem de forma leve e sincrônica. Por meio deles, o orador reforça suas ideias e estimula os ouvintes. Todavia, se utilizados de forma inadequada ou exagerada, podem causar prejuízo ao objetivo do ato comunicativo.
os gestos não devem chamar a atenção. Entretanto, a ausência de gestos pode prejudicar o ato comunicativo.
se você estiver com um grande público, deve intensificar suas gesticulações; com públicos pequenos, os gestos devem ser moderados.
se você estiver numa reunião de negócios, não precisa usar gestos expressivos; porém, num teatro infantil, maior gesticulação é necessária para que as crianças entendam a mensagem
É preciso buscar o autoconhecimento, aprender a sentir o próprio corpo, saber do que ele é capaz, observar suas dimensões e seus limites, ter consciência da sua força para identificar o pensamento e o sentimento e descobrir suas possibilidades de expressão.
Entre os gestos à serem evitados, destacam-se:
Brincar com canetas, chaves, anéis, pulseiras, colares.
Roer unhas.
Coçar orelhas, cabeça e nariz.
Mexer na gravata.
Esconder a boca com as mãos.
Tamborilar ou estalar os dedos.
Apoiar-se sobre mesas, cadeiras ou tribuna.
Andar constantemente de um lado para o outro do local onde você está falando.
Contrair frequentemente as faces e o nariz, fechar os olhos, franzir a testa de maneira exagerada.
Apertar ou morder os lábios.
Respiração
É possível perceber que oratória e respiração são indissociáveis. Por causa disso, vale a pena conhecermos algumas técnicas de respiração para conseguirmos manter o equilíbrio quando estamos tensos e precisamos falar.
Planejamento do Discurso e Ritmo: Num primeiro momento, você deve planejar o discurso e o ritmo. Sempre que possível, prepare sua fala com antecedência, buscando objetividade e relevância no conteúdo.
Importância das Pausas e do Ritmo: Evite frases longas, mas, se isso não for possível, respire entre elas. Faça pausas entre as orações e enfatize as ideias que você julgar mais importantes. Falar rapidamente sem intervalos pode levar à falta de ar e demonstrar nervosismo. Encontrar o equilíbrio entre pausas adequadas e um ritmo fluente é fundamental para uma comunicação eficaz.
O Papel do Diafragma na Respiração: Treine seu diafragma, músculo em forma de cúpula, situado abaixo dos pulmões, próximo ao estômago, responsável pela respiração. Ao inspirar, o diafragma libera espaço para a expansão dos pulmões; ao expirar, ele relaxa e volta ao formato normal. Todo esse processo, sincrônico, garante uma respiração satisfatória para a comunicação.
Exercícios para Melhorar a Respiração: Outra dica consiste em inspirar pelas narinas profundamente, prender a respiração por alguns segundos e expirar pela boca. Isso alivia a tensão e os possíveis esquecimentos do que se pretende falar.
O medo
O medo de falar em público pode ser causado por uma variedade de fatores:
Experiências negativas: Falhas em apresentações, críticas severas, bullying, rejeição ou traumas na infância, na adolescência ou na vida adulta podem contribuir para o desenvolvimento da glossofobia.
Timidez: Se você é muito tímido, isso pode se tornar um problema quando você precisa falar a um público, mesmo que seja composto por poucas pessoas.
Perfeccionismo: O fato de você acreditar que precisa ser perfeito quando fala em público pode ser uma causa do medo.
Hierarquia: Quando falamos para pessoas que estão num nível hierárquico acima do nosso, questionamos nossa própria autoridade para falar diante dessas pessoas e sentimo-nos inseguros, o que gera medo do que os outros podem pensar sobre nós.
Falta de preparação: A sensação de pânico pode surgir quando julgamos que não nos preparamos o suficiente para a apresentação e que, por isso, ela não sairá a contento.
Pensamentos negativos: Quando alguém que tem medo de falar em público é desafiado a fazê-lo, é normal que pensamentos negativos, tais como “Não vou conseguir falar”, “Ninguém quer me ouvir”, “Eu não deveria estar aqui” ocorram e provoquem insegurança no orador.
É importante lembrar que não há nada de anormal com o medo. Ele faz parte das sensações que os seres humanos têm. O que devemos fazer é tentar vencê-lo, descobrindo o que desencadeia em cada um de nós essa sensação quando precisamos falar em público.
Superando o medo
A vida acadêmica e profissional exige que as pessoas assumam certas responsabilidades, tenham bom desempenho e bons relacionamentos e adquiram novas habilidades e competências. Dentre essas competências e habilidades, destaca-se a de falar em público.
Aqui estão algumas estratégias para superar o medo:
O Desejo de Falar e Conectar-se com o Público
Primeiramente, é necessário que o orador tenha um forte e persistente desejo de falar e se conectar com os ouvintes. Para isso, é necessário ver a oportunidade de falar em público com entusiasmo e acreditar que isso trará benefícios ao orador, seja no campo acadêmico, seja no campo profissional. O ideal é que o orador encare com certa magia o ato de transferir o que está na sua mente para a mente dos interlocutores.
Preparação: A Chave para a Segurança
Em segundo lugar, é preciso que o falante se prepare para a apresentação: ler, estudar, dominar o assunto que será abordado. Você só se sentirá à vontade diante do público se souber exatamente o que vai dizer. Se não estiver confortável, certamente se sentirá inseguro, arrependido e envergonhado pela sua negligência.
Caso seja necessário, pode-se levar um roteiro com os principais passos da apresentação. Isso produz uma grande sensação de segurança.
A Importância do Treino para a Confiança
Em terceiro lugar, é necessário treino. Para falar em público não é preciso ter coragem, mas sim serenidade, tranquilidade. E isso só se adquire com a experiência. Muitas vezes, o medo nasce da falta de confiança que o orador tem em si. E a falta de confiança advém da falta de treino.
Aproveitando o Momento da Apresentação
Por fim, o emissor deve aproveitar a apresentação que vai fazer. É o momento de ele compartilhar tudo aquilo que se esforçou para alcançar. Por isso, deve ser um momento feliz. Quando o orador chegar diante do público, não deve ter pressa para começar. Sempre é bom respirar com tranquilidade, olhar para todos os lados da plateia, ajustar o microfone (se houver) e, aí sim, começar a falar.
Se estiver muito nervoso, deixe as mãos apoiadas sobre a mesa ou a tribuna até ficar mais calmo.
Finalmente, o orador precisa empolgar-se e não permitir que nada atrapalhe sua fala
Ao contrário, ele deve permitir que todos percebam sua paixão pelo que está fazendo e falando. E a paixão pode ser contagiante.
Como encontrar o equilíbrio entre emoções e discurso planejado?
Antes de mais nada, prepare-se com antecedência, estabeleça o foco que você quer dar à sua fala.
As emoções constituem fontes de expressividade que o orador tem em mãos. Se você as utilizar moderadamente dentro do seu discurso, elas trazem vida e brilho ao conteúdo abordado. Por isso, é necessário o planejamento, que permitirá dosar o que cabe dentro de cada situação.
