Retórica e oratória

Retórica
Origem e significados
Retórica é entendida como “a arte de falar bem”. Alguns motivos da sua importância se encontram abaixo:
Eficácia da comunicação: Uma comunicação persuasiva é primordial em vários campos da vida. Por isso, a desenvoltura na articulação dos pensamentos, de maneira clara, pode contribuir para que você alcance os objetivos comunicacionais pretendidos.
Poder de influenciar o interlocutor: Por meio da retórica, você aprende a utilizar argumentos lógicos, emocionais e éticos capazes de operar sobre o modo de pensar e agir do seu receptor.
Possibilidade de análise crítica: Quando você estuda retórica, também aprende a fazer análise de discursos e argumentos, desenvolvendo pensamento crítico. Dessa forma, você não se deixa manipula.
Desenvolvimento de autoconfiança na produção da mensagem: Quando você aprende retórica, torna-se confiante no momento de apresentar suas ideias e defender seu ponto de vista.
Contribuição para o papel de liderança: Líderes eficazes, via de regra, são comunicadores persuasivos. A capacidade de uso da retórica traduz-se como uma vantagem significativa para aquele que está numa posição de líder, permitindo-lhe inspirar e motivar outras pessoas.
Dicas para sair bem na retórica
Faça pausas estratégicas: Pausas estratégias constituem intervalos com duração entre três e dez segundos, que enfatizam momentos importantes na sua fala.
É preciso ter cuidado para não demorar demais na pausa, pois o receptor pode pensar que o locutor esqueceu o que pretendia falar
Comparando com textos
Comparando com textos escritos, as pausas estratégicas correspondem ao negrito, chamando a atenção do interlocutor.
Faça perguntas retóricas: Tais perguntas são importantes para despertar o interesse dos destinatários no conteúdo a ser apresentado.
Adapte a linguagem ao público: Deve se atentar ao perfil de seu interlocutor, considerando o contexto cultural em que ele está inserido, e adequar sua linguagem a esse perfil, para que a comunicação seja bem-sucedida.
Demonstre que você é uma pessoa igual às outras: Uma forma de gerar conexão com seu interlocutor consiste em levá-lo a perceber que sua vida apresenta os mesmos desafios que a vida de qualquer ser humano.
Evite improvisar: Uma das palavras-chave da retórica é a preparação. Portanto, sempre que possível, estude o que você vai falar, atualize-se sobre o assunto, faça suposições sobre o que seu receptor poderá perguntar a você, ensaie respostas que possam convencer o interlocutor.
Preste atenção à linguagem não verbal: A linguagem não verbal tem uma grande importância na prática da retórica. Não se esqueça de que seu corpo também fala.
Pilares fundamentais: ethos, pathos e logos
Ethos
Ethos caracteriza-se como a construção de uma imagem de si destinada a garantir sua credibilidade. Existe uma credibilidade pré-discursiva que foge um pouco ao controle de quem fala, já que o emissor, muitas vezes, não sabe muito bem o que pensam dele antes de ele falar. Existe, também, uma credibilidade discursiva, que é a credibilidade que o emissor constrói nos receptores, à medida que vai expondo suas ideias.
A fim de construírem uma autoimagem positiva. Portanto, na nossa sociedade atual, a vestimenta e a aparência do emissor, bem como a linguagem corporal por ele utilizada contribuem para a construção da credibilidade daquele que fala.
Aristóteles, em sua Retórica, elenca quais as razões que o orador precisa ter para inspirar confiança:
Bom senso: Capacidade natural de julgar situações com equilíbrio, sensatez e razão, sem se deixar levar por impulsos
Prudência: Agir com cautela, sensatez e discernimento, avaliando os riscos e as consequências antes de tomar uma decisão.
Sabedoria prática: Capacidade racional e verdadeira de agir corretamente em relação ao que é bom e mau para o ser humano
Virtude: Disposição de caráter ou hábito positivo que leva um indivíduo a agir de acordo com a razão, a moral e o bem
Benevolência: Disposição natural ou o desejo constante de fazer o bem
Pathos
Pathos é o elemento que representa o lado emocional do discurso, isto é, a habilidade de quem fala de provocar emoções no ouvinte.
Logos
Logos se relaciona diretamente à persuasão por meio da qual o orador usa a lógica, a razão, com a finalidade de fundamentar sua tese. Para isso, apresenta fatos e argumentos, como provas concretas, dados estatísticos, dentre outros. Ao invés de apelar para as emoções do receptor, opta por convencê-lo por meio do raciocínio lógico.
Conclusão
Para montar um discurso persuasivo, importa equilibrar o ethos, o pathos e o logos. E, para alcançar o equilíbrio entre esses elementos, é fundamental que o orador seja autêntico e genuíno nas suas ações e comunicações.

Oratória
A oratória, que compreende a arte de falar em público com eloquência e eficácia, é uma habilidade essencial em um mundo onde a comunicação desempenha um papel preponderante em todos os aspectos de nossa vida.
Não se trata apenas de discursos públicos e apresentações formais, mas de como nos expressamos no dia a dia, seja em uma conversa com amigos, seja em uma reunião de trabalho, ou em situações que envolvem decisões importantes.
Onde se aplica?
Comunicação interpessoal: A oratória atua na construção de relacionamentos mais profundos e fortes, impactando, de maneira positiva, as relações pessoais, pois permite que o orador expresse suas ideias e sentimentos de forma clara, o que evita conflitos e mal-entendidos; cria conexões com o ouvinte, já que, ao falar com eficácia e empatia, o orador mostra que valoriza as opiniões e os pontos de vista do receptor; e facilita a resolução de conflitos, uma vez que o orador pretende construir relações harmoniosas com o ouvinte.
Vida profissional: No ambiente de trabalho, a oratória é valorizada, porque assume papel fundamental em vários aspectos:
apresentações: comunicar-se com persuasão e confiança pode influenciar o ouvinte na tomada de decisões
realização de negociações: o ato de negociar pressupõe habilidades de comunicação que levam à efetivação de resultados vantajosos
liderança: pessoas com sólidas habilidades de oratória inspiram, motivam, alinham times na busca de objetivos comuns.
Tomada de decisões: A clareza de pensamento e a argumentação eficaz são úteis ao se defender uma opinião ou um ponto de vista, o que pode influenciar decisões individuais e coletivas.
Empoderamento: O domínio da oratória fortalece a confiança e a autoestima, abrindo caminho para uma comunicação convincente e para a sensação de empoderamento.
Técnicas de oratória
Aqui estão as principais cinco técnicas de oratória
Domínio da língua
Isso não quer dizer somente ter conhecimento de regras apresentadas pela gramática, mas também usar a linguagem de maneira eficaz a fim de que a mensagem possa ser transmitida de forma atraente e clara. E aí entram entonação, ritmo, pausas que, se bem utilizados, destacam trechos importantes, criando uma lógica que envolve o ouvinte.
Organização do discurso
Um discurso organizado traz um tema bem definido, delimita esse tema, constrói argumentos consistentes e conclui, reforçando a mensagem central.
Postura e expressão corporal
Os aspectos não verbais da oratória trazem consigo um aspecto impactante na maneira como se passa e recebe a mensagem.
Contato visual
Considera-se contato visual como a situação em que indivíduos se olham um ao outro simultaneamente, fixando os olhos.
Controle das emoções
Um orador enfrenta um turbilhão de emoções quando vai falar em público. Controlá-las quando necessário e saber dosá-las constituem armas da oratória.
A conduta do orador
Um orador, ao fazer um discurso, precisa preocupar-se com seu público em geral e com as fontes que constituem a base de sua apresentação. Em outros termos, de todos os lados, ele deve cercar-se da ética. Entre algumas reflexões, estão:
Seja leal e imparcial no exercício da oratória.
Responda somente ao que souber, caso lhe seja direcionadas perguntas.
Não invente histórias nem espalhe boatos sobre pessoas ou empresas.
Não exponha pessoas a situações que causem constrangimento ou ameacem a integridade delas.
Respeite seu auditório e trate a todos de forma igualitária.
Tenha cuidado com piadas, exemplos e comentários preconceituosos ou que prejudiquem pessoas ou organizações.
Não manipule opiniões.
Não seja arrogante, não abuse de sua autoridade nem tente obter vantagens por causa da posição que ocupa.
Referencie os autores consultados e as pesquisas realizadas para compor seu discurso.
Potencial comunicativo
Potencial comunicativo consiste em você alcançar seus objetivos enquanto transmissor de ideias.
Há técnicas que podem ajudar o orador a desenvolver seu potencial comunicativo. Aprendendo-as e colocando-as em prática, ele será capaz de transformar sua oratória em uma poderosa ferramenta de persuasão e influência sobre as pessoas ao redor.
Fatores fundamentais que favorecem o potencial comunicativo
Conteúdo: Você deve dominar o tema e se preparar para apresentá-lo o que inclui uma linha lógica de pensamento, com começo, meio e fim
Voz: Fale em um volume um pouco acima do que seria suficiente para que possam ouvi-lo.
Emoção: Não basta só conhecer o assunto. É preciso falar com energia, disposição, entusiasmo.
Ouvintes: Tudo o que você falar e a forma como você vai falar devem levar em conta o ouvinte, suas características e aspirações.
Naturalidade: Quanto mais espontâneo você for na sua forma de se comunicar, mais o público terá admiração e respeito por você.
Marketing pessoal
Marketing pessoal consiste numa estratégia que visa a promover a imagem de um orador, destacando suas habilidades, conhecimentos e atributos positivos.
Aumenta a autoridade e visibilidade do orador
Atrai mais atenção do público
Influencia outras pessoas a enxergar o orador como referência
Cria uma marca pessoal forte e memorável
Adquire um diferencial considerável em relação à concorrência
Para promover sua autoimagem, basta manter-se de forma apresentável e de acordo com o ambiente em que irá se apresentar. Leve em conta, também seu asseio pessoal, uma vez que a boa aparência influencia significativamente na imagem que farão de você. A forma como você se comunica também ajuda a construir sua imagem.
A importância da voz
A voz também é uma ferramenta de comunicação assertiva. Se for bem trabalhada, pode melhorar o entendimento das pessoas sobre a mensagem transmitida e, até mesmo, fazer com que o discurso seja mais persuasivo.
A voz, principal ferramenta da comunicação verbal, deve ser tratada sob três aspectos: tom, volume e velocidade.
Tom
Por tom de voz, entende-se a tonalidade ou expressão emocional que o orador coloca em suas palavras
Um tom monótono pode levar o ouvinte a perder o interesse no que está sendo dito.
Um tom expressivo ajuda o público a prestar atenção, já que transmite entusiasmo e emoção na transmissão do assunto.
Uma voz confiante e segura tende a ajudar o orador a estabelecer sua autoridade e criar credibilidade no ouvinte.
Entre as dicas, quando se trata de tom de voz:
Seja autêntico
Adapte-se ao tom do conteúdo
Velocidade
Thespeaker (2023) aponta as seguintes dicas, quando se trata de velocidade de voz:
Não atropele as palavras: Procure fazer pausas entre as ideias, para que o receptor consiga absorver o conteúdo.
Varie a velocidade de acordo com o que você deseja transmitir: Por exemplo: momentos de suspense ou ênfase podem ser ditos de forma mais lenta, enquanto informações mais simples podem ser colocadas mais rapidamente.
Volume
Volume tem a ver com o nível de intensidade da voz do orador ao falar. Polito (2018) aconselha o orador a fazer uma avaliação do local onde a apresentação será feita, a fim de saber qual volume de voz será o mais apropriado a ser utilizado.
Comunicação e emoções
Ao passar uma mensagem, você deve falar de modo enérgico, disposto, entusiasta, ou seja, com emoção. Se você não se mostrar interessado e envolvido pelo assunto, não poderá querer que os receptores se envolvam nem se interessem pelo seu discurso.
Você deve parecer sempre verdadeiro. Não adianta nada você dizer que está alegre ou triste se os ouvintes não perceberem no seu ato comunicativo o sentimento de alegria ou tristeza.
